05/01/2013

A QUEM POSSA INTERESSAR



Para, pra explicar que eu vou ouvir as suas histórias de mais ou menos. De lá e de cá. De não sei o que. Para, que eu vou prestar atenção nesses teus olhos distantes, nessa casa meio cheia; nesse coração carregado de estações. O que eu não posso é me esconder das perguntas que frequentemente as horas junto de ti (me) fazem. O que eu não quero é explodir numa roda enorme de sumiço e nunca mais saber o que eu estava fazendo ali. As noites já não me caem como antes. São quadros cheios do teu nome, da tua conversa, dos teus dedos que me tocam. São dias também onde cubro os teus passos com os meus. É bem devagar, eu sei, mas eu também não tenho a pressa dos que pensam tão logicamente assim. Eu desenhei uma linha, e nela já não sei se acabou o giz ou se me perdi tentando desenhar demais, e eu nem sei desenhar! O fato é que estou na beira da calçada; no meio do caminho; na porta de sei lá onde pra buscar o que aqui já tenho de sobra, mas que sempre me falta. Para, então; pra que eu possa enxergar o tal óbvio. Eu não sei se você sabe, mas quando amo eu nunca consigo enxergar o obvio; a tal verdade; a transparência. Prefiro me aconchegar aos papeis; as palavras, aos sentimentos voadores da minha cabeça. Nessas horas eu sou meio que nuvem no céu, sem forma, sem pé nem cabeça. Mas olha, eu ando. E o meu andar é meio passo largo; é meio que estrada; é muito grande mesmo. Assim: eu sou hoje tudo isso. Mas amanhã eu deságuo. Como o rio; como aquela onda que quebra no meio da areia e se espalha. E nunca mais, nunca mais mesmo eu consigo juntar nada. E nem com toda a força do pensamento; desse querer intenso (seja ele de que direção venha), eu vou fechar meus olhos outra vez pra pensar em você.

Maria Casas 

20/12/2012

FELIZ ANO NOVO !





Esse desenho foi feito por mim no computador, é parecido com um que fiz quando eu tinha sete anos, naqueles cadernos horizontais. Eu nunca na vida soube como desenhar nada no papel, mas sempre quebrei o galho quando tinha que fazer alguma coisa onde pudesse colocar as minhas cores. E, por mais tortos que ficassem esses esboços de casas, árvores e céus, eles só precisavam estar coloridos para que me tirassem um risinho do rosto e um breve traço de satisfação.
Por esse caminho de rascunhos, originais, preto e branco e cores, vamos traçando a vida da gente. Algumas vezes, parece que a sorte nos sorri e o final é uma benção; paisagens tão perfeitas que parecem fazer jus ao que nos fez o Criador. É uma resposta, caprichamos! Porém, em outras , não temos o resultado esperado; e lá vem as decepções. Aquele borrão vermelho na arte final. Batemos com força na mesa, choramos, desesperamos e depois sem que possamos fazer mais nada, exaustos que estamos, adormecemos. Mas aí, vem o outro dia, a nova manhã. E quando abrimos o olho, uma nova página já está à nossa frente, disponível, zerada! E lá vamos nós recorrer ao material guardado na noite anterior para começarmos tudo novamente.
É a labuta magnífica da vida. Munição à postos: lápis,  canetas,  tintas de todas as cores e borrachas, borrachas também são importantes para apagar aqueles riscos saídos sem querer. Mas é importante que não se rasguem as folhas que não deram certo.  Elas com certeza nos servirão de aprendizado para o próximo passo.
Estamos as vésperas de mais um início de ano. E nele, 365 páginas novinhas nos aguardam. Folhas, que à sua disposição, esperam seus desenhos, sua arte , sua história de vida.
Desejo que você nesse finalzinho de ano renove suas forças e o material necessário para o começar de novo. Tomara que nessa maleta não falte o amor, a coragem, a esperança e a Fé. Fé de que você pode fazer melhor do que fez anteriormente. Coragem para lidar com seus insucessos. Esperança para que você nunca desista. E amor, para que você possa fazer o melhor e mais bonito desenho da sua vida.

FELIZ 2013!

Maria Casas



18/12/2012

FELIZ NATAL!




"Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz...", essa música tão linda, de melodia inesquecível, era uma referencia de Natal que me fazia transbordar todos os sentimentos que permeiam essa data. Uma delas e talvez a mais forte, seja a família. O ninho de onde viemos. Aqueles quadros mágicos cheios de estações, construções, reveses, lágrimas, alegrias e pessoas queridas. Minha família, sua família, nosso bando. Conhecimento mais claro que esse não há. Todos comungam resultados de uma larga experiência sobre o outro.
Família é aquele nosso não esquecer. São nossos segredos, aqueles bem guardados no baú de cada um. Porque sabem, porque sabemos e porque também amamos, suportamos quietos. Nos conhecemos mais porque fomos crianças dentro de toda essa vivência; e crianças são o que são, não há como disfarçar! "Foi você que quebrou aquele vaso raro da vovó, ela nunca soube!". Mas alguém, sempre alguém ali serviria de testemunha, de apoio àquele segredo guardado a sete chaves. Família é isso. É partilhar alegrias, tristezas e intimidades.
No Natal, estamos tão vulneráveis ao que somos que não podemos negar o abraço, olhar sincero, o riso fácil. As rusgas que me perdoem, mas no Natal, o perdão é fundamental! Portanto, perdoem-se, alinhem-se, recriem-se novamente. Vivam as suas famílias como aquele passarinho que volta à asa antiga. Foi de lá que você veio. Foi de lá, daquela célula que você começou a ser lapidado, a pegar jeito, a tomar tento. O mundo ajuda, eu sei! Ajuda a gente a crescer, a ver, a sentir, a amadurecer. Mas a família, ah esses rostos tão conhecidos! Será sempre aquele colo antigo, abrigo, onde muitas das vezes ficaram vagando as nossas perguntas pelo tempo. Essas mesmas perguntas que num breve espaço de abraço, junta todas as respostas.
FELIZ NATAL!

 Maria Casas

MENTIRAS SINCERAS ME INTERESSAM...(Cazuza)

Arrebatados pelas datas próximas e com as brincadeiras do final do mundo (é brincadeira não é?), os corações andam pra lá de sensíveis, alegres e solidários. Alguns dizem que isso tudo é só nessa época, eu digo amém e graças a Deus, que pelo menos nessa época possamos desaguar o coração, por muitas vezes tão endurecido pela luta diária dos meses. Amém ao car
naval, ao São João, e para nós paraenses: ao Círio de Nazaré! Amém a todas essas datas que nos lembram que somos mais humanos do que demonstramos e do que aguentamos. Jesus Cristo viveu e sua lição, por mais que não sigamos à risca, estará sempre à frente dos nossos narizes: no abraço apertado do amigo; no beijo sincero de uma mãe; na bagunça de festas de família; no amor que rege todo esse universo que nos cerca. Porque podem passar anos e anos, e continuamos a acreditar e comprovar que o amor é a única coisa que nos dá vida, que nos impulsiona, seja em qualquer situação. Mentiras sinceras valem sim. São mais do que negamos, que insistimos em não ver, que são verdades ainda não descobertas ou aceitas.
Suely Abrunhosa

15/11/2012

É!


Não é como o PEQUENO PRÍNCIPE, O pássaro azul ou aquelas histórias de livros de autoajuda que a gente tanto vê por aí. É sobre voltar no tempo. É como reviver aquelas coisas do passado que você jamais esqueceu ou não aprendeu, ou mesmo não pode fazer nada, ou não prestou atenção. É sobre isso. Sobre o resultado de como você é agora. Daqui em diante tudo vai depender de você, porque no tempo, você é os seus resultados. É a soma do que viveu, do que amou, do que aprendeu e o que deixou de aprender. É como você estava quando acreditou no que viu. É como você deu ou não importância àqueles momentos. É sobre isso!

O MUNDO




Pela janela dos olhos
ele vê o mundo
girando, tão vagabundo anjo
que brinca junto comigo
Gente, estradas e países
pretos, brancos e loucos
tão vagabundo anjo
me estendeu a mão
o coração
e um pedaço de giz
para pintar o arco-íris
da minha prisão
Um copo de gim
Com riscos de riso
e um jardim
pra me divertir

Suely Abrunhosa

14/11/2012